“70% de desconto”! Eu não acredito!
Comentamos, no artigo anterior, as campanhas publicitárias de grandes magazines que ofertam produtos com grandes descontos, anunciando cortes no preço de até 70%. Se você acredita nisso, reflita um pouco sobre os três pontos abaixo:
Valor Original do Produto
- Qual é o valor original do produto destinado ao mercado consumidor? Alguém sabe? A loja sabe? Você sabe? Se ninguém sabe, então como poderemos comparar e depois afirmar que o preço promocional é 20, 30, 40, 50 ou “x”% menor que o valor original? Se o televisor, com o desconto de 50%, custa R$599,00, onde está a prova que, semana passada, ele custava R$1.198,00? Será que, se eu solicitar, o vendedor vai me apresentar a prova (um planfleto publicitário, talvez)?
- Sugiro, então, que, estando no estabelecimento, solicitem do vendedor a prova que, nos dias anteriores, aquele produto realmente era tão mais caro como a publicidade quer fazer crer.
- Se não houver tal prova, tenham a certeza de que se trata de publicidade enganosa.
Estado do Produto
- Qual é o estado do produto que está sendo anunciado? A publicidade informa isso? Será que o consumidor ficará satisfeito quando, já dentro da loja, descobrir que o televisor com 70% de desconto está sem o controle remoto, que simplesmente sumiu, e que, para adquirir outro controle, ele terá que desembolsar uns R$120,00; ou que a geladeira, tão baratinha, tem um grande amassado em sua porta?
- Se esses “leves defeitos” não estão claramente anunciados na publicidade, com certeza, ela é enganosa.
Quantidade de Peças Ofertadas
- A publicidade promete “descontos de até 70%”. Você, então, já dentro da loja, descobre que a promoção dos 70% vale somente para determinados produtos, os quais, em razão do pequeno número ofertados em cada loja, acabaram antes da metade da manhã. Quando você indaga sobre os outros produtos que estão disponíveis no estabelecimento, recebe a informação que eles têm um desconto de 5%.
- Nesta hipótese, o fornecedor realmente ofertou produtos a preço de banana, mas em quantidade ínfima. Na verdade, esses produtos (que, apesar de totalmente novos, geralmente são de péssima qualidade e de fabricantes desconhecidos) serviram apenas tentar dar uma justificativa para a campanha publicitária, que, mesmo enganosa, sempre leva uma multidão até as lojas do fornecedor.




