Oferecer a Genitália o Conar deixa ! Dançar sensualmente o Conar não deixa !
Vendo o tempo passar pela janela panorâmica de sua sala e um rapaz subitamente avista uma garota charmosa, e certifica pela teleobjetiva de sua câmera fotográfica que ela ensaia alguns passos sensuais inocentes no estilo de Marilyn Monroe (vídeo abaixo).
Marcos Palmeira e Murilo Benicio (veja abaixo) estão sentados na praia sob a sombra de uma barraca. O personagem interpretado por Marcos abaixa para pegar uma cerveja no isopor, quando avista uma morena maravilhosa saindo do mar, e percebe que ela repete os movimentos da garrafa. O personagem obviamente gosta disso e inicia uma “masturbação mental”, tirando e colocando a garrafa do gelo.
Em outro VT mais antigo, uma turma assiste ao vídeo que registrou um sujeito correndo na praia, totalmente nu. Ele aparece na sala e festeja as gargalhadas da turma enaltecendo sua “babaquice”.
Moça gostosa na praia, ficar excitada com uma gota de água nas costas, pode!
A masturbação mental do personagem de Marcos Palmeira, manipulando uma mulher sexy por meio da garrafa na caixa de gelo, pode!
Mas dança sensual no estilo Marilyn Monroe não pode!
Passada a onda causada pela polêmica e já apagando da memória de muitos, de cabeça fria podemos avaliar mais friamente o assunto, e enxergar o machismo presente nessa situação. O Conar não Sabe diferenciar Sensualidade de Sexualidade ? Eles não consultam o dicionário?
De acordo com o Código de ética do Conar,
• Todo anúncio deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acentuar, de forma depreciativa, diferenciações sociais decorrentes do maior ou menor poder aquisitivo dos grupos a que se destina ou que possa eventualmente atingir (Art. 2º).
• Os anúncios não devem conter afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência que prevaleçam entre aqueles que a publicidade poderá atingir (Art. 22).
Balançar a genitália protuberante na cueca, e expressar a imagem da mulher como objeto a ser dominado, deve ser muito respeitoso e decente.
Porque o machista e deselegante, apesar de engraçado e criativo VT da Skol, da poderosa AMBEV, no qual o cara sem pudor balança sua genitália, disfarçando com uma bolchete, e a moça pede para ser apresentada a ele: o dono do membro; foi veiculado livremente enquanto o VT criativo e SENSUAL, mas não SEXUAL da Cerveja Devassa com Paris Hilton foi considerado inconveniente para os valores morais de nossa sociedade?
A Devassa buscou inspiração refinada no Clássico do Cinema “Câmera Indiscreta” do Mestre Alfred Hitchcock; enquanto a Skol levou para o “churrascão” Beto Barbosa, um músico do “mais alto gabarito: orgulho da música brasileira”!
A inconveniência no VT da Devassa deve estar alinhada com os interesses comerciais do Fornecedor – Ambev, e não com a moral para com o Consumidor. Isso me faz pensar que infelizmente o poder econômico supera a neutralidade e o critério ético nos mandos, digo, trabalhos do Conar.
No ano passado, em Brasília, durante a comemoração dos 20 anos do Código de Defesa do Consumidor compartilhei com Marilena Lazzarini do Idec minha decepção com o fato dos membros do conselho do Conar serem profissionais da área regulamentada, quando ela publicamente defendeu a criação de um conselho neutro que também inclua consumidores e especialistas em educação em seu corpo, para analisar a Publicidade. Eu de imediato apoiei a idéia.
Como um Brasileiro, adoro uma safadeza, e uma boa piada – tenho bom humor. Mas aprendi desde criança que meu espaço acaba onde termina o do outro – que vivemos em grupo. E antes que me chamem de careta e patrocinador da censura, verifiquem se estão sendo educados em suas obras de arte. Educação não precisa de regulamentação, aprende-se em casa! Já a banalização do conteúdo das mídias… será que esse vai diminuir sem nada ser feito?





