Operadora de Telemarketing “Sai da Brincadeira”
Ontem fui surpreendido por uma operadora de telemarketing. Não pela oferta de um produto ou brinde inesperado; mas pela atitude de entregar o jogo,na minha frente, sem pedir licença. Não entendendo do que se tratava, por duas vezes eu pedi que ela repetisse, e quando notei o que era logo falei, educadamente, que não queria comprar nada.
Normalmente somos nós consumidores que perdemos a paciência e eles sempre se controlam. Hoje quem bateu o telefone na cara do outro não fui eu, mas ela assim fez. Cheguei a ter vontade de ligar de volta e oferecê-la meu ouvido para seu desabafo: “O que Está havendo? Está nervosa hoje?” dando minhas melhores gargalhadas por dentro.
Em um cenário com acúmulo de problemas não resolvidos, sobrecarga na pressão de metas e números a serem cumpridos, na impaciência do consumidor que resulta em “bater o telefone na cara”– atitude mais que justificada uma vez que essas não foram solicitadas assim sendo raramente ou nunca bem-vindas; os operadores de telemarketing estão perdendo a esportiva, num que jogo que eles mesmos nos convidaram.
Eles estão expondo uma fragilidade talvez inesperada, pois sempre fizeram questão de passar uma imagem robótica, calculista, perspicaz e insistente – armado para vencer o cidadão no seu cansaço e impaciência e desconhecimento, o que é uma prática abusiva.
Esse quadro de estafa está cada vez mais freqüente porque já há algum tempo eles vem sendo contra-atacados pelo consumidor que está cansado de ser bombardeado e utiliza armas como desligar o telefone (educada ou grosseiramente), ou não atender a números estranhos (característicos de telemarketing).
A mídia e entidades de proteção e defesa do consumidor e justiça, também abriram fogo contra a “tele peste”, buscando resguardar os consumidores a exemplo da Lei Estadual SP 13226 /2008 (que regulamenta o cadastro daqueles que não querem receber ligações de telemarketing). Afinal eu, você, o deputado, o juiz, todos até mesmo os operadores de “tele peste” quando estão descansando em suas casas, todos somos vítimas da “praga”.
Mas porque uma Lei Estadual? Porque apenas São Paulo? Este assunto deveria ser tratado em âmbito nacional. Vamos enviar e-mails para os deputados e senadores de nossos estados, que elegemos para trabalharem por nós, cobrando essa medida. Vamos nos espelhar na perseverança do atendente de telemarketing, não desistamos deste objetivo!
Só depende da nossa atitude para que esse quadro de estafa dos operadores de telemarketing seja realmente diagnosticado e traduzido no Canto do Cisne dessa praga indesejada.
Talvez eles voltem breve usando a frase: “vamos teclar?” em vez de “com quem falo?” Se assim for, buscaremos um “pesticida” multimídia, melhor será se a medida atual seja válida para qualquer meio de invasão, telefone, internet, ou mesmo bater na porta.
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Excelente post, concordo plenamente com você, quantas vezes não atendi o celular pensando que podia ser algo importante em alturas que até nem tinha muito tempo para falar e era telemarketing…